O jornalista Ayres Rocha, cuja morte foi noticiada nesta quarta-feira (14), construiu uma trajetória histórica na televisão acreana. Durante 35 anos, tornou-se um dos rostos mais conhecidos do jornalismo regional e chegou a ser considerado o apresentador mais antigo de um telejornal local da Rede Globo. Em 2019, ganhou projeção nacional ao representar o Acre na bancada do Jornal Nacional.
A carreira começou em 1989, quando Ayres ainda trabalhava como bancário. Na época, ele procurava uma segunda ocupação para preencher as tardes e acabou encontrando uma oportunidade na TV Acre, afiliada da Globo.
Inicialmente, acompanhava os bastidores da redação e observava o trabalho dos profissionais. A oportunidade de aparecer diante das câmeras surgiu inesperadamente, quando precisou substituir um apresentador esportivo que havia faltado ao trabalho.
Mesmo tímido e sem experiência na função, aceitou o desafio. A partir daquele momento, iniciou uma trajetória que o levaria a apresentar telejornais em diferentes horários, até assumir, em 1995, o comando do Jornal do Acre 2ª Edição.
Ayres Rocha e a jornalista Jéssica Senra, da Bahia | Foto: TV Globo
Ao longo de quase três décadas à frente do noticiário noturno, Ayres acompanhou acontecimentos que marcaram a história do estado. Com seu estilo espontâneo e próximo do público, tornou-se presença habitual na casa de milhares de famílias acreanas.
Do Acre para a bancada do Jornal Nacional
Ayres foi o único jornalista acreano a apresentar o JN | Foto: Rede Globo
Um dos momentos mais importantes de sua trajetória ocorreu em 7 de setembro de 2019, quando Ayres Rocha apresentou o Jornal Nacional, da TV Globo, ao lado da jornalista Jéssica Senra, da Bahia.
A participação integrou as comemorações dos 50 anos do telejornal, que reuniu apresentadores de emissoras afiliadas de diferentes regiões brasileiras.
Na ocasião, Ayres levou o nome do Acre à bancada de um dos programas jornalísticos mais tradicionais do país, realizando um sonho profissional depois de décadas dedicadas à televisão regional.
A experiência representou um dos pontos altos de sua carreira e deu visibilidade nacional ao trabalho desenvolvido pelo jornalista no estado.
A despedida após mais de 6 mil “boa-noites”
Em 8 de novembro de 2024, Ayres Rocha encerrou sua trajetória na Rede Amazônica, após 35 anos de trabalho. Na ocasião, aos 61 anos, era considerado o apresentador mais antigo de um telejornal local da Globo.
Ao longo de sua passagem pelo Jornal do Acre, foram mais de 6 mil edições em que cumprimentou os telespectadores com o tradicional “boa noite”.
A aposentadoria foi marcada por homenagens de colegas de profissão, incluindo o jornalista William Bonner, então apresentador do Jornal Nacional.
Em sua última edição, emocionado, Ayres agradeceu a confiança do público e se despediu com o bom humor que marcou sua carreira.
“Agora vou curtir a vida. Boa noite, Acre”, declarou.
A Rede Amazônica também prestou homenagem ao profissional, destacando sua contribuição para o jornalismo e a relação construída com os telespectadores.
A trajetória de Ayres Rocha deixa um legado para a comunicação acreana. De uma oportunidade inesperada na televisão à bancada do Jornal Nacional, ele construiu uma carreira que atravessou gerações e ajudou a contar parte da história do Acre.






