A estiagem já afeta a oferta de pescado no Mercado do Peixe de Cruzeiro do Sul. Com a redução do nível dos rios, comerciantes relatam menor disponibilidade de espécies capturadas na natureza e maior dependência da produção de açudes e viveiros para atender os consumidores.
Além da variedade reduzida de peixes de rio, os vendedores enfrentam um período de movimento fraco nas vendas. Atualmente, espécies criadas em cativeiro, como tambaqui, piau, matrinxã e curimatã, estão entre as principais opções disponíveis no mercado, com preços que variam de R$ 24 a R$ 27 por quilo.
Segundo Francisco Valdeci, presidente da Associação dos Vendedores de Pescado de Cruzeiro do Sul, a diminuição das águas interfere na movimentação dos cardumes e dificulta a chegada de peixes dos rios ao comércio local.
Entre as espécies de rio encontradas em menor quantidade estão mocinha, traíra e alguns tipos de cará. A oferta de mapará, por outro lado, começa a aumentar.
Defeso pode mudar ainda mais a oferta
Outro fator que preocupa os comerciantes é a proximidade do período de defeso, previsto para começar em 15 de novembro. Durante esse intervalo, a pesca e a comercialização das espécies abrangidas pelas restrições ficam sujeitas às regras ambientais.
Com a entrada em vigor das medidas de proteção, a expectativa dos vendedores é de que os peixes provenientes de viveiros ocupem um espaço ainda maior nas bancas do mercado.
Valdeci orienta os consumidores que preferem pescado de rio a ficarem atentos à disponibilidade atual, já que a oferta pode diminuir durante o período de restrições.
Comerciantes relatam movimento fraco
A redução na oferta de algumas espécies não é a única dificuldade enfrentada pelos trabalhadores. O movimento de consumidores também está abaixo do esperado.
O vendedor José Francisco Sombra Pereira, de 48 anos, afirma que as vendas costumam cair entre os dias 10 e 25 de cada mês, período em que parte dos consumidores aguarda o recebimento de salários e benefícios.
Segundo ele, os preços dos peixes de viveiro variam conforme a espécie e a disponibilidade do produto, ficando entre R$ 24 e R$ 27 por quilo.
Washington Nunes, que também trabalha no mercado, avalia que as vendas estão fracas e acredita que a realização de eventos na cidade tenha contribuído para a redução do movimento. A expectativa dele é de melhora a partir de novembro.
Mesmo com a menor oferta de pescado capturado nos rios, os comerciantes afirmam que espécies de piscicultura, como tambaqui, piau e matrinxã, continuam disponíveis para quem procura peixe fresco em Cruzeiro do Sul.






